Refinando conceitos: o que são sistemas complexos

Ser linear ou não-linear, aberto ou fechado, com ou sem dispositivos de retro-alimentação é só o começo da história. A mudança climática, a desigualdade social, a Primavera Árabe são exemplos de fenômenos que não têm como ser explicados somente com os conceitos de simples e complicado.

Para essas questões, entram em cena os chamados “Sistemas Complexos”, que são formados por centenas, às vezes milhares de relações. Algumas são lineares, outras são circulares, algumas têm o feedback no tempo certo, outras o recebem com atraso. São os chamados “wicked problems”, que podem ser traduzidos como problemas severos ou difíceis.

O que caracteriza esses problemas é o fato de serem tão complexos, que é muito difícil identificar todos os seus componentes e, por isso, eles parecem incompletos, contraditórios, mutantes. Por causa da interdependência de muitos fatores, é muito difícil encontrar respostas cabais para eles.

Problemas difíceis requerem estratégias específicas, que vêm sendo pensadas por estudiosos de áreas diversas como a Ecologia, a Física, a teoria cultural e a neurociência. Na aula, o professor Berardi  exibiu um vídeo chamado “The Power of Network” (O poder da rede), que descreve um pouco as estratégias que ajudam a compreender os wicked problems. O vídeo parte da forma mais antiga de organização da informação – as árvores – e a compara com a forma que se mostra cada vez mais útil – as redes.

Segundo Manuel Lima, a ordenação na arquitetura das árvores garante ordem, simetria, hierarquia, simplicidade, equilíbrio e unidade. Mas não é suficiente para explicar, por exemplo, a arquitetura dos neurônios do cérebro humano – na verdade nem do cérebro de um rato… Para situações complexas como essa, é melhor pensar em arquiteturas formadas pro milhares de relações, algumas lineares, outras não, algumas com feedback no tempo certo, outras com atraso nesse retorno. O exemplo clichê é o bater das asas de uma borboleta num extremo do globo terrestre que, através de iterações (repetição programada de uma ou mais ações) provoca uma tormenta no outro extremo, semanas depois.

A primeira aula terminou com a apresentação introdutória dos sistemas complexos. No começo da segunda, começamos a nos tornar mais íntimos desses fenômenos. Houve até espaço para uma discussão política, sobre onde estão os pensamentos de esquerda e de direita num assunto tão complicado.

Se este texto despertou sua curiosidade sobre as árvores e as redes, assista aqui o vídeo feito a partir de palestra ministrada por Manuel Lima em evento da RSA (Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce), organização não governamental inglesa. Infelizmente, está em inglês e sem legendas, mas os desenhos em si já são muito elucidativos. Preste atenção no modo como o corpo humano é compreendido através do tempo: uma engrenagem de órgãos ou uma rede de bactérias?

Veja aqui os slides usados na palestra.

Sobre ABujokas

Sou graduada em jornalismo, doutora em educação, professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e pesquisadora no campo da media literacy/mídia-educação. Embora viva na terra do boi Zebu, não tomo leite e não como carne, porque fazem mal para mim e para o meio ambiente.
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