Sistemas de direita e sistemas de esquerda

Antes de conhecer as metodologias de aplicação do pensamento sistêmico, o professor Berardi reservou um tempinho para promover uma pequena discussão de caráter político. Como em qualquer área do conhecimento, o pensamento sistêmico também sofre disputas e se identifica com uma determinada porção do espectro político.

Essa análise de qual apito cada abordagem toca pode ser minimamente explicada da seguinte forma: os “sistemáticos” ou hard systems agem sobre uma arquitetura hierárquica e tendem a ser mais autoritários; os “sistêmicos” ou soft systems funcionam em uma arquitetura igualitária e, por isso, se identificam com a mentalidade política de esquerda. Por fim, os sistemas “evolucionários” ou complexos têm arquitetura individualista, baseada na sobrevivência (e no poder) dos mais competentes ou adaptados. Ser igualitário, no pensamento sistêmico, não significa ser comunista, mas sim agir com foco no bem comum acordado ao invés da competição.

Conforme a apresentação do professor Berardi, o pensamento complexo (que é, portanto, diferente do pensamento sistêmico, assunto do curso) é fundamentado na auto-organização e na evolução natural. A auto-organização se refere ao encorajamento de um sistema que seja capaz de emergir espontaneamente tão logo a ação autônoma dos participantes se torne interligada ou co-dependente uma da outra. É uma questão de acaso. A evolução natural defende que o sistema será capaz de mudar sua estrutura e processos na medida em que precisar se adaptar para manter sua vitalidade durante a mudança em um contexto dinâmico. É uma questão de dançar conforme a música e parece haver pouco espaço para atitudes de resistência.

Exemplos de autores do pensamento complexo são:

Kevin Kelly, autor do livro “Out Of Control – The New Biology of Machines (1995), que argumenta da seguinte forma: “Assim como nós moldamos a tecnologia, ela nos molda. Estamos conectando tudo a tudo e, portanto, nossa cultura inteira está migrando para uma cultura em rede e para uma nova economia em rede”.

Manuel Castells, autor de livros como “The Internet Galaxy – Reflections on the Internet, Business, and Society” (2001), para quem “a internet é a base tecnológica para a forma de organização da Era da Informação: a rede”.

Na perspectiva do pensamento sistêmico, as coisas não são tão espontâneas assim: alguns têm mais oportunidades de moldar a tecnologia e outros são simplesmente moldados por ela, a internet não é tão plana como apresentada pelos otimistas. Muito pelo contrário: hubs como o Facebook e os grandes portais noticiosos têm o poder de fazer imergir informação e ações que, de outro modo, talvez simplesmente não acontecessem. A espontaneidade, a aptidão e a auto-organização às vezes precisam ser equilibradas com o consenso coletivo orientado pelo bem comum.

Este foi o fim de um dia inteiro de muita atividade mental. Completada a etapa da teoria (que o tempo todo foi pontuada por experimentos práticos e divertidos), nos preparamos para as atividades práticas.

 

Sobre ABujokas

Sou graduada em jornalismo, doutora em educação, professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e pesquisadora no campo da media literacy/mídia-educação. Embora viva na terra do boi Zebu, não tomo leite e não como carne, porque fazem mal para mim e para o meio ambiente.
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